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É preciso criar áreas tampão à volta das vinhas para travar incêndios

Especialistas refletiram sobre o impacto dos incêndios no setor vinícola, deixando alertas e alternativas para um novo ciclo onde, infelizmente, acontecem cada vez mais megaincêndios que começam cada vez mais cedo, por alturas da primavera, e acabam cada vez mais tarde

“Estamos a viver o regime do fogo”. A afirmação é de Ana Sá, do COLAB ForestWISE, para quem o país e o mundo “precisa de mais fogo, de fogo bom”. Parece um contrassenso desejar mais fogo num país onde ano após ano os incêndios destroem florestas, casas, vinhas e campos agrícolas, numa conferência onde o debate se centrou sobre o “Impacto dos incêndios no setor vinícola”. Mas não é.
Ana Sá falava sobre as “alterações climáticas e o aumento da incidência de incêndios em Portugal” na conferência que ontem decorreu no Solar do Vinho do Dão em Viseu. Apresentando uma compilação de informação sobre que se passa em Portugal e num conjunto de países onde “os megaincêndios estão a acontecer e com regimes de fogo cada vez mais severos”, recordou que já em 2018, o investigador Stephen Pyne afirmava que “o combate ao fogo que tem vindo a ser feito só trará de volta incêndios cada vez piores”. E a avaliar pelos exemplos apresentados por Ana Sá, na Suécia, na Grécia, na Califórnia, em Portugal, na Austrália, no Chile, onde se perderam milhares de hectares de vinha e adegas, tinha razão Stephen Pyne com Ana Sá a reconhecer que “tendencialmente, os fogos começam mais cedo, veja-se o exemplo de Pedrógão Grande na primavera de 2017, e acabam mais tarde”.

Fevereiro 26, 2025 . 08:54

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