
“A União Europeia é acima de tudo uma comunidade de valores, de Estados membros que decidiram trabalhar em conjunto”
Diário de Viseu - O que é o Europe Direct?
Sofia Moreira de Sousa Os centros Europe Direct são entidades espalhadas por todo o país, criados em vários pontos e que comunicam com as populações locais sobre as políticas e as oportunidades pelo facto de Portugal ser um Estado membro da União Europeia. Nós temos um escritório da Comissão Europeia em Portugal que está sediado em Lisboa, mas trabalhamos muito próximo com os municípios e com estes centros Europe Direct que facultam esta comunicação em todas as regiões do país.
Esta é uma forma de levar a Comissão Europeia às populações?
E as populações às políticas europeias. Desde já, é uma forma de aumentarmos a consciencialização e a sensibilização das pessoas de que a União Europeia é aqui, em Viseu; é na Ilha do Faial; é em Bragança; é em Miranda do Douro; é em qualquer ponto do território português. Nós somos cidadãos europeus e o território português, todo ele, é União Europeia. Às vezes há muito esta sensação de que a União Europeia está lá longe, mas não, ela está aqui. E os centros Europe Direct facultam esta comunicação que é de explicar e de informar sobre as políticas, as oportunidades que a União Europeia oferece aos cidadãos e ao mesmo tempo o papel que os cidadãos têm na construção da União Europeia.
E sente que alguma coisa mudou nestes últimos anos nessa aproximação das pessoas a União Europeia e vice-versa?
Nota-se bastante. Desde já, penso que esta tomada de consciência da importância e da sorte que nós temos de pertencer a este projeto fantástico de 27 democracias que trabalham em conjunto. Algo que foi muito patente quando atravessámos a crise da pandemia. Não só na gestão dessa crise, como na compra conjunta de vacinas e na sua distribuição; nos pacotes financeiros, o PRR, que foram logo criados para as economias dos 27 e, portanto, sentimos que o facto de estarmos num grupo grande e de trabalharmos em conjunto nos permitiu, de alguma forma, vencer o desafio de um problema que era mundial. Este mesmo sentimento pôs também à prova a capacidade da União Europeia de dar resposta a uma invasão da Rússia à Ucrânia com o subsequente aumento de preços da energia, a inflação, de todas as questões que surgiram e que o facto de estarmos juntos, de conseguirmos dar resposta em conjunto de termos a solidariedade e a união como os valores de base da União Europeia. Tudo isso realmente nos ajudou a dar resposta a todos estes desafios. Claro que aqui em Portugal a União Europeia é muitas vezes percecionada como a entidade dos fundos e não é negligenciar o papel que os fundos europeus têm não só no desenvolvimento sócio económico do país como até mesmo nas oportunidades dos jovens de viajarem, por exemplo. Há, sem dúvida, uma consciencialização e uma perceção do valor da União Europeia e do sentimento de pertença à União Europeia que se materializa muito na questão dos fundos. Mas a União Europeia não é só fundos. Ela é acima de tudo uma comunidade de valores, de Estados membros que decidiram trabalhar em conjunto porque só assim é que se pode dar resposta a desafios que são muito grandes e que exigem mais do que respostas locais ou regionais. Por exemplo, nós vemos agora a necessidade que temos de investir na área da Defesa, até para nos protegermos e para evitarmos guerras no futuro. Uma resposta que as regiões portuguesas não poderiam fazer sozinhas e que exigem um trabalho conjunto da União Europeia.
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